NOVO! Análise de Emprego


Relatório elaborado por Fernando de Paula Rocha.
Economista-Chefe do Banco de Investimentos BanifPrimus.


O que ocorre com a Argentina?

 

O problema atual da Argentina está diretamente ligado ao regime de "currency board" adotado em 1991. Este regime de câmbio envolve uma paridade fixa com uma moeda estrangeira que, no caso da Argentina, é o dólar. Ocorre que, de 1991 para cá, a economia norte-americana cresceu de forma expressiva, impulsionada por ganhos de produtividade sem precedentes, o que não ocorreu na Argentina. Isto tornou o peso argentino muito valorizado em relação às moedas dos seus principais parceiros comerciais, ocasionando uma perda de competitividade das exportações.

Por outro lado, a balança de transações correntes da Argentina, assim como a brasileira, é estruturalmente deficitária, em consequência do pagamento de juros da dívida externa. Dessa forma, o país necessita de financiamento externo para fechar as suas contas. Soma-se a isto, o fato de que as finanças públicas não estão equilibradas, o que agrava a necessidade de financiamento do país. Como sair desta situação então?

O governo optou pela estratégia de tentar construir um círculo virtuoso, aumentado a credibilidade no regime cambial, via aprofundamento do ajuste fiscal. Dessa forma, ao aumentar impostos e cortar salários nominais, visa reverter o mau desempenho das contas públicas e, com isso, ganhar a confiança dos investidores externos. No entanto, esse objetivo corre o risco de não ser atingido, à medida que a opção pela política fiscal contracionista tem um efeito recessivo, prejudicando o crescimento econômico e, por conseguinte, a própria recuperação das finanças públicas.

A outra opção seria promover o crescimento primeiro, para depois melhorar as contas públicas. É certo que fazer um ajuste fiscal com a economia aquecida é bem menos penoso que na recessão. No entanto, os riscos dessa opção residem na pouca tolerância dos investidores a um endividamento maior do país. Nesse sentido, essa opção poderia ser interpretada como uma decisão populista, que privilegia o crescimento em detrimento do ajuste fiscal. Como se vê, a saída não é fácil.

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