NOVO! Análise da Decisão do COPOM


Elaborado por Fernando de Paula Rocha.
Economista-Chefe do Banco BanifPrimus.


A decisão do COPOM e o cenário da Inflação

O Comitê de Política Monetária – COPOM decidiu na quarta-feira (23/08) manter a taxa Selic inalterada em 16,5% a.a. sem indicação de viés. Entendemos ser esta uma decisão acertada pelas razões que passamos a expor:

No âmbito interno, os índices de inflação divulgados recentemente mostraram-se acima do esperado e trazem preocupação com a aceleração inflacionaria. Além disso, vários índices de preços registraram um aumento do seu núcleo, que teoricamente exclui os efeitos temporários. Isso decorre do aumento de custos trazido pelos reajustes dos combustíveis e das tarifas públicas, cujo repasse pode estar sendo facilitado pelo ambiente de aquecimento da economia. Continuamos acreditando, entretanto, que esta alta da inflação é transitória. No entanto, como o papel da autoridade monetária é garantir a estabilidade de preços, julgamos mais conveniente a decisão de manter os juros, até que se dissipe o efeito sobre os preços do choque de custos recente.

No âmbito externo, o preço do petróleo, ao contrário do que se esperava, vem se mantendo acima de US$ 30/barril. Além disso, existe um desconforto com relação à situação da Argentina. A possibilidade de o governo Argentino não conseguir cumprir as metas fiscais desse ano pressiona o risco país e dificulta a rolagem da dívida externa. A instabilidade na Argentina pode ter efeitos temporários no Brasil, pois os dois países são vistos pelos investidores estrangeiros como parte de um mesmo bloco, apesar de terem regimes cambial e monetário distintos.

Por outro lado, alguns fatores positivos nos fazem crer que o COPOM irá continuar reduzindo as taxas de juros no futuro. A troca de Bradies realizada pelo Brasil e o anúncio da Moodys de que colocou a classificação de risco soberano sobre revisão, dão uma indicação de que o spread de risco pago pelos títulos soberanos deverá cair. Além disso, o fato de que o regime cambial brasileiro é diferente do modelo da Argentina nos dá uma indicação de que qualquer problema naquele país terá um efeito transitório sobre o Brasil. Dessa forma, continuamos apostando na queda dos juros, e consideramos que a SELIC deverá chegar a 15% a.a. ainda este ano

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